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24/09/2018 - Brasil aprova ajuda a refugiados Venezuelanos





 Em poucos minutos, uma fila de dezenas de venezuelanos se formou na manhã desta quinta-feira em uma das ruas paralelas à rodoviária de Boa Vista, em Roraima. No Estado brasileiro que mais recebe quem foge do flagelo no país vizinho, todos aguardavam a sua vez para retirar uma bolsa de pães que um senhor de boina verde, que preferiu não se identificar, distribuía com agilidade. "Não participo de nada de política, faço de coração, para ajudar essas pessoas que estão passando fome"

A apenas um quarteirão do assentamento precário de José e de dezenas de outros venezuelanos está o abrigo Jardim Floresta, gerido pela Agência das Organizações das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), com apoio do Exército Brasileiro e da Prefeitura de Boa Vista. Um dos moradores do local, o venezuelano Miguel Serpa, de 29 anos, conta que chegou ao Brasil em fevereiro trazendo a mulher grávida e os sogros. "Cheguei a ter que dormir na praça quando cheguei à capital, mas graças a Deus conseguimos uma vaga no abrigo. Não é todo mundo que está conseguindo, é gente demais, não há vagas, e eles acabam dando preferência para pessoas com crianças ou pessoas idosas", explica Serpa que trabalha como ajudante no acampamento.

Mariana Garcia, de 35 anos, não teve a mesma sorte. Há meses mora no acampamento improvisado na rua e reclama nunca ter recebido das autoridades algum prazo para que ela consiga uma vaga no abrigo. "Eles fazem um censo, anotam o perfil das pessoas que estão aqui, mas até agora nada", diz. A rotina no local é complicado e precisam caminhar bastante para conseguir encher o galão de água. "Mesmo assim estou mais feliz, olha a situação ruim que estamos, mas ainda é muito melhor que a Venezuela. Aqui pelo menos temos comida, posso ir a um posto de saúde pedir medicamento. Muitos brasileiros são solidários", diz.

Ela explica, entretanto, que casos de hostilidade e xenofobia que ocorreram em Pacaraima também são comuns em Boa Vista. "Não são poucos os moradores que passam aqui nos insultando, gritando de moto coisas do tipo: 'Voltem ao seu país! Ladrões! Filhos da puta!", conta. "Os policiais também exageram. Todo dia revistam os homens aqui do acampamento, de uma maneira intimidadora, as vezes olham também as barracas, bagunçam tudo", diz.

Garcia prefere se ater ao comportamento acolhedor de grande parte da população, como o da brasileira Isabel Cristina. A vizinha de frente ao lote do acampamento que abriu a varanda da casa para fazer um refeitório improvisado para os venezuelanos com os alimentos que são doados para a Igreja Católica. "Não posso negar que desde que eles chegaram a cidade está muito caótica. Todo mundo está reclamando que a violência aumentou muito, que o sistema de saúde está ainda mais confuso, mas tem muito venezuelano bons. Temos que ajudar. Fico ainda com mais pena das crianças", diz Isabel Cristina.



Fonte: brasil.elpais.com