Dicas de Saúde

08/05/2014 - Como atenuar crises de alergia.

 

Prestar atenção aos agentes causadores e buscar ajuda médica reduz os transtornos com as crises alérgicas.

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma ou mais substâncias estranhas ao organismo. Simples de entender, não? Quem sofre com crises constantes, no entanto, sabe que a resolução deste problema pode ser bem mais complicada.

Sabe-se que a herança genética tem um papel importante nas alergias – a chance de uma pessoa desenvolver asma ou rinite quando os pais têm alergia é de 40%. Já os fatores que desencadeiam as crises, outra questão determinante, variam de pessoa para pessoa. É justamente aí que começa o problema.

Entre as causas mais comuns de alergia estão pólen, pelos de animais e, principalmente, ácaros. No Brasil, cerca de 90% dos quadros de alergia respiratória estão ligados a estes micro-organismos, que se desenvolvem em ambientes úmidos e escuros e estão comumente presentes em colchões, tapetes, almofadas, sofás, bonecos de pelúcia e roupas de camas.

Mesmo sem causar alergias respiratórias, agentes ambientais irritantes (produtos de limpeza, inseticidas, perfumes, fumaça e até variações de temperatura) podem agravar os sintomas e desencadear crises.

“Quando o alérgico entra em contato com determinados agentes ambientais, substâncias que causam pouca ou nenhuma irritação em pessoas sem alergia, o organismo reage de forma exacerbada, provocando sintomas como coceira, dificuldade para respirar e até choque anafilático”, explica Maria Teresinha Malheiros, alergista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, de São Paulo.

É importante destacar que a reação é individual, ou seja, nem todos os alérgicos são sensíveis às mesmas coisas. Por isso às vezes é tão difícil identificar o fator causador. E tem mais: no frio, a dificuldade em identificar o fator causador da alergia ganha um complicador extra, que é diferenciar a crise alérgica de uma gripe ou resfriado , condições de saúde típicas do inverno.

Os sintomas clássicos de uma crise alérgica respiratória são muito semelhantes àquelas de uma gripe: obstrução nasal, coriza, espirros e coceira no nariz, nos ouvidos, nos olhos e na garganta, que ocorrem por mais de dois dias consecutivos e por mais de uma hora na maior parte dos dias. Pode haver ainda tosse seca associada a pigarro, devido à descida de secreção do nariz até a garganta. Nos casos crônicos ou mais graves, há inclusive a possibilidade de perda de olfato e paladar.

É hora de procurar um médico quando a pessoa tem sua qualidade de vida afetada pelos sintomas (como faltas frequentes ao trabalho, redução da qualidade do sono e fadiga ao longo do dia com redução da produtividade) ou quando apresenta outros sinais sugestivos de complicações, orienta Natália Raye Maciel, otorrinolaringologista do Hospital Israelita Albert Sabin, do Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.

Apesar de os fatores desencadeadores de uma crise alérgica serem diversos e entrarem em contato com a pessoa tanto por via respiratória quanto gastrointestinal ou pele, a solução para o problema é invariável: uma vez identificado o causador da crise alérgica, deve-se evitar o contato ou realizar um tratamento para redução da sensibilidade do organismo a ele.

“Para determinar os agentes causadores da alergia é importante relatar ao seu médico com qual frequência e em quais momentos surgem as crises” orienta Natália.

Quando os agentes não forem encontrados, podem ser determinados por meio de testes cutâneos com estimulação direta. Neles, o alergista expõe pequenas áreas da pele a diversas substâncias e avalia a reação posterior do corpo. Após o diagnóstico, é possível fazer tratamento mais direcionado com vacinas a fim de reduzir a frequência ou intensidade das crises.

Podendo surgir em qualquer etapa da vida e sem aviso prévio, as alergias não têm cura – e a demora em procurar tratamento pode agravar o quadro e dificultar o controle das crises.

“As mudanças bruscas de temperatura e o tempo seco característicos do inverno brasileiro são fatores desencadeantes das crises de alergia respiratória. Já a chuva, a umidade e a baixa insolação ajudam a criar um ambiente favorável para o desenvolvimento de ácaros” diz Maria Teresinha.

Além disso, no inverno as pessoas deixam a casa mais fechada e usam edredons, cobertores e agasalhos sem arejá-los. Tudo isso cria um ambiente favorável para o acúmulo de pó e o desenvolvimento de ácaros.

Para quem sofre com as crises, a boa notícia é que é possível controlar os sintomas de maneira significativa. O tratamento consiste em diminuir a ação dos fatores alérgicos e irritantes nos ambientes mais frequentados pelo paciente e no uso de medicamentos.

“No caso da rinite alérgica são usados medicamentos que diminuem o processo inflamatório, antialérgicos e descongestionantes. Para asma, são usados broncodilatadores e corticoides inalatórios. É importante lembrar que a automedicação pode levar a um agravamento dos quadros, por isso é imprescindível buscar atendimento médico” alerta a alergista.



Fonte: site: saude.ig.com.br/